 | Patrícia Poeta - Índia Sangue Tupi
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Description: Patrícia Poeta.
Um resumo da vida de Cascatinha e Inhana.
Francisco dos Santos nasceu em Araraquara-SP no dia 20/04/1919 e faleceu em São José do Rio Preto-SP no dia 14/03/1996; e Ana Eufrosina da Silva Santos nasceu em Araras-SP no dia 28/03/1923 e faleceu em São Paulo-SP no dia 11/06/1981: primeira Dupla Caipira formada por marido e mulher que, por sinal, "nasceram um pro outro", como se diz popularmente.
Francisco dos Santos nasceu na fazenda Cafelândia. Seu pai era carroceiro e tocava um pouco de sanfona. Órfão de pai aos 5 anos; sua mãe se casou novamente e ela deu à luz 5 filhos no primeiro casamento e 6 no segundo.
Seu pseudônimo surgiu muito antes de sonhar com a carreira artística: aos 10 anos de idade, mudou-se para Marília-SP (na época, Alto Cafezal) e mais tarde mudou-se para Garça-SP; nessa cidade, cursando a Escola Primária, foi onde ganhou o apelido de "Cascatinha", pois gostava de "cabular" aulas e ir tomar banho numa pequena cascata que por ali existia.
Voltou para Marília algum tempo depois onde trabalhou como servente de pedreiro. Foi admitido na banda local, como percussionista (tocava Caixa). Com seu apurado ouvido musical, assobiava os sucessos que ouvia no rádio e o Mestre-da-Banda os escrevia na partitura.
Como baterista também animava os bailes da cidade num conjunto que era formado por músicos dessa banda. Nessa época, Cascatinha contava 18 anos de idade e passou por Marília o Circo Nova Iorque, que o admitiu como baterista. E aos poucos, foi revelando suas qualidades de intérprete, cantando Sambas e Serenatas e também fazendo dupla com o paraibano Natalício Fermino dos Santos, o Chopp, que também era trapezista. Resolveu também aprender a tocar Violão.
Há quem afirme inclusive que o apelido de Cascatinha se deve à Cerveja Cascatinha (apreciada por Noel Rosa, entre outros) que existia na época em que Francisco dos Santos cantava em parceria com o Chopp.
E "parece que o destino estava traçado": no ano de 1941, o Circo Nova Iorque passou pela cidade de Araras e, nessa cidade, Cascatinha conheceu uma jovem muito bonita nascida no lugar: seu nome era Ana Eufrosina da Silva, que cantava juntamente com sua irmã Maria das Dores no Jazz-Band de Araras. Seus dois irmãos, José do Patrocínio e Luiz Gonzaga (apenas coincidência de nome com o excelente Rei do Baião) também participavam do conjunto: um na Bateria e outro no Contrabaixo.
"Quando vi aquele mulato tocando violão, me apaixonei..."
Inhana rompeu um noivado de mais de um ano e seguiu com Cascatinha! Lógico que foi "contra a vontade dos pais, já que Artista de Circo, no conceito deles, "tinha um amor em cada praça", etc. e tal..." E, do namoro para o casamento (em 25/09/1941), passaram-se apenas 5 meses. De qualquer forma, o medo da família de Inhana não se justificou, pois o casamento foi sólido e feliz, durou 40 anos e só terminou com o falecimento da Inhana em 1981. No casamento, tiveram um filho adotivo chamado Marcelo José.
Téo Azevedo considera a voz de Inhana como "a mais bonita e afinada que já surgiu no Brasil desde que Cabral pisou nesta terra. Gal Costa, Tetê Espíndola e Elis Regina, as quais são consideradas por muitos como as maiores cantoras do país, são muito boas, mas afinação e voz bonita igual a de Inhana nunca mais apareceu. Era perfeita".
O casal "terçava" as vozes como fazem as Duplas Caipiras, porém, a beleza em particular do timbre das duas vozes, aliada à facilidade com que Inhana conseguia "passear pelas notas agudas", mais a sofisticação da "segunda voz" do Cascatinha e os arranjos instrumentais bem elaborados ("Serra da Boa Esperança" que o diga, conforme veremos logo abaixo) deram a Cascatinha e Inhana uma "liberdade incomum" para escolha do repertório, por sinal, um dos mais bem escolhidos, não só na Música Caipira, mas na Boa Música Brasileira, de um modo geral.
Índia
Cascatinha e Inhana
Índia seus cabelos nos ombros caídos
Negros como a noite que não tem luar
Seus lábios de rosa para mim sorrindo
E a doce meiguice desse seu olhar
Índia da pele morena
Sua boca pequena eu quero beijar
Índia sangue tupi
Tens o cheiro da flor
Vem que eu quero lhe dar
Todo meu grande amor
Quando eu for embora para bem distante
E chegar a hora de dizer-lhe adeus
Fica nos meus braços só mais um instante
Deixa os meus lábios se unirem aos seus
Índia levarei saudade
Da felicidade que você me deu
Índia a sua imagem
Sempre comigo vai
Dentro do meu coração
Flor do meu Paraguai.
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